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MPA - Um dos xodós do lula

    MPA - Um dos xodós do lula 30.01.2012

    Em um país como o nosso, quando se fala em enxugar a máquina pública, independentemente de o que enxugar, o motivo, por si só, deveria ser de comemoração. Extinguir o Ministério da Pesca e Aquicultura, bem ao contrário, caracterizaria erro histórico e estratégico sem precedentes, que atingiria o setor produtivo chamado pelo próprio governo de "o novo pré-sal brasileiro". O enorme potencial produtivo e inexplorado, tanto da aquicultura quanto da pesca oceânica, que tradicionalmente foi ignorado pelas políticas públicas nacionais, só agora começa a ser identificado. Transformar o MPA em mero setor do Ministério da Agricultura significaria atrofiar, ainda na própria casca, o pinto que viria a se tornar a galinha dos ovos de ouro.


    Em recente relatório, a ONU divulgou estudos que demonstram que até 2050 precisaremos dobrar a atual produção mundial de peixes e frutos do mar, para dar conta da demanda humana por proteína saudável e de boa qualidade, e que a única fonte potencialmente capaz de atender a  essa necessidade seria a aquicultura. Passa pela cabeça de alguém que a ala política que conspira por baixo dos panos a favor da extinção do MPA esteja preocupada com o potencial da aquicultura nacional e sua importância econômico-estratégica para o nosso País?


    A simples habilitação de um novo parque aquícola para criação de peixe envolve uma complexidade enorme de fatores técnicos e naturais, a ser pesquisados, analisados, regulados, controlados e fiscalizados por um equipamento governamental necessariamente constituído com essa vocação. E o País precisa demarcar, ainda, muitos novos parques, para equiparar sua produção de peixe em cativeiro com o volume gerado anualmente por países de grande tradição no setor. Entre eles, os parques de Lajeado (TO), Boa esperança ( PI), Pentecostes (CE), Armando Ribeiro Gonçalves (RN), Coremas (PB), Balbina (AM), Samuel (RO), Itaparica (BA), Moxotó (PE), Xingó (AL), Manso (MT), Pedra e Sobradinho (BA), Rio de Janeiro (RJ), Calha Paranapanema (SP/PR), Ita (SC) e Machadinho (RS). Não há outra forma de atender à demanda nacional por mais e mais peixe.


    Os que pleiteiam a extinção do MPA não estão preocupados com esses desafios. Não entendem de aquicultura e jamais subiram em um barco de pesca. Talvez não saibam discernir uma tilápia de uma corvina nem gostem de peixe. Não sabem o que representaria um eventual desastre ecológico provocado por um vírus nocivo à fauna nativa em um parque de águas fechadas, como uma represa. Mas, ainda que ignorem tudo isso, haverão de ser chamados pelos produtores brasileiros, nas próximas eleições, a explicar às populações desses estados por que se empenharam tanto em acabar com o ministério que tem como responsabilidade tirar esses projetos do papel e transformá-los em geração de riqueza e de novos postos de trabalho.

    Antes, porém, terão de demover a presidente Dilma da decisão, recém-anunciada por ela, de manter um ministério considerado por Lula, seu criador, um de seus xodós... 
     

    Luiz Valle - Administrador de Empresas e Diretor Executivo da Cavalo Marinho - Criação e Beneficiamento de Frutos do Mar.

    Fonte: Brasil Economi

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